01 novembro, 2010

Uma Noite na Taverna



Por Beatriz Peixoto

Movimento, entretenimento ou ideal?

Há indícios, registros de que seja um movimento, assim como se denomina no “blog tavernista”. Porém movido por um ideal.
Um movimento cultural, artístico e que apesar dos precursores deste movimento se colocarem numa postura apolítica, já se faz implícita uma crítica quanto ao regime de sistema hoje no país.
Não há uma preocupação com modismo, não diria ser um evento contemporâneo, mas que tenta criar oportunidades para artistas que iniciam; em abrir espaço para manifestações de criações diversas, valorizando o indivíduo no coletivo.
Pessoas se reúnem ali para buscarem sua identidade, fugir do automaticismo capitalista. Deixando fluir o que vem de dentro, as pessoas não são pudicas, porém procuram respeitar umas as outras. Dentro de uma proposta que converge a uma linha de fuga, no que corresponde a fuga desta massa compacta que a sociedade se molda. Porém, mais importante que criar linhas de fuga, é criar novas formas de existência. As pessoas cada vez mais bombardeadas, até mesmo dentro de suas casas, através da mídia, com todo tipo de dispositivos de poder, são manipuladas, adulteradas e tendo sua subjetividade massacrada pelo “o que está na moda” ou pelo “quem detém o poder”. A visão panóptica faz com que os indivíduos se exercitem ao criar novas “máscaras”, porém deprecia, e não reforça as potencialidades do ser.
Nessa relação de poder em que se perde o ser e se valoriza o ter. As pessoas sensíveis, dentre; os artistas, os que mesmo “inconscientes” percebem como que intuitivamente, este manuseio desenfreado de quem detém o poder, fazendo com que as pessoas percam por várias vezes o seu eixo, tendo que a todo o momento desconstruir e reconstruir sua subjetividade, porém em território novo e que em nada privilegia a qualidade de vida do indivíduo.
Nesses termos, a Taverna vem trazendo um ambiente novo, algo que escapa o cotidiano das relações de poder, algo que escapa do trabalhador sem vez, do “burguês” que nada quer ver além do que foge aos seus interesses. Um território de criação, de amizades, de dar tempo a si mesmo para realizar coisas fora da rotina maquinaria da modernidade.
Digo até, que estas pessoas trazem com esse evento um “ar romântico”, mas não para dizer somente sobre o “belo”, mas para também falar dos “horrores”, e principalmente a dar voz para o que se mantêm calado, para trazer o que não se pode dizer no dia a dia de suas vidas, onde as representações sociais estão vigentes. Onde o panóptico está atuante.
Exercer a livre expressão, a arte da criação, trocar idéias e saberes, ou simplesmente rir, chorar ou ainda se estarrecer juntos, em conjunto promover construções, estabelecer um clima. Um clima de contágio... Um clima de Taverna. Onde não somente as velas que são postas a mesa, estão acesa, mas também os “olhos da percepção”.

***

Beatriz Peixoto é artista plástica e estudante de psicologia.




2 comentários:

aguaparaplantas disse...

Evoé Taverna!

Brilhante ensaio sobre a Taverna Bia, acho que é esse o espírito que evoca desse lindo recital que mexe um pouco com a órbita da pequena esfera de São Gonçalo, e vem crescendo a se tornar uma voz poética verdadeira, porque em toda a história da poesia, ela sempre nasceu periférica, a beira e a margem da sociedade.

Parabéns

Evoé!

Rômulo Souza disse...

Bela resenha. Meus parabéns! Pareceu-me bastante sincera e imparcial em seu discurso. Você soube também resumir um pouco do que acontece no taverna. Só conhecendo mesmo para saber.

Abraço