25 dezembro, 2011

Retorno da grotesca forma

Como o suave petrel

corta os céus e mergulha no infinito

azul.

Retorna a terra somente ao ninho

retorno a terra somente em desalinho

para cavar na era meu fruto apodrecido

para colher da flor á melancolia desabrochada

Retorno a terra para ver o mártir

sugando como faminto vampiro as forças da humanidade

em vindouros palpitações malignas deixando apenas ruínas

E todos aqueles entes dando de alimento ao esquecimento

Como o petrel de brancura inefável

Retorno ao ninho desgraçado,olvidado

para sempre de minha forma nauseabunda

de humano sujo de mãos desgraçadas

de sonhos perdidos.

Retorno a terra somente para olhar no espelho da tristeza

e contemplar ainda ferida beleza

Do olhar na plenitude da certeza

que tudo cada vez veloz,dissolverás

no ar impuro,e tudo visto afundarás

na infernal memória dos esqueletos

enterrados sem adeus,sem contemplar

a destruição mordaz dos sentimentos

tão esculpidos pelos alvos poetas

e transmitidos á todos que ainda sentem

Só retorno a terra,agora na forma grotesca

de sombra.



Luiz Carlos

Christimas

Mesa farta
Laços que aparta
retorna apenas em uma
data.
Lágrimas dos ocultos
estendidos como lençol negro
nas calçadas.
Fitam os sorrisos unidos
Relembram feridos.
Neste momentos solene de sinos
Christimas tinindo.
Cava a escura terra
a mãe em loucura séria
para rever seu filho
e olhar,chorar
sobre os semblantes não mais
reconhecíveis.
Visita a amada o prisioneiro
de cicatrizes amargas na alma
das grades enferrujadas
Depósitos de homens sem destino.
Árvore dos piscas-piscas coloridos
doridos a mesa faltando um.
aquele que se ausentou do mundo
pela bala perdida da maldita
sina fria deixando um vácuo
nos corações das uniãos de
somente uma data.

Luiz Carlos

26 novembro, 2011

Insensato

Ah!,insensato coração.
Inebriado do fastio almejo
de novamente bater o desejo
de sentir.E o que calado sente 
não revela.

"Parafernália clínica",vão
a ressurreição de bater
ferozmente.Por vezes mente
uma ilusao,quando tudo passa
um espinho como espólio fica.

Nos subterrâneos dos lençóis
vermelhos da catedral escura do
peito,há um insensato coração
sozinho tentando bater novamente
tentando sentir novamente.

Prometeu a si.
pela última vez baterá
ou definitivamente parada
cardíaca dos sentimentos.

Luiz Carlos
26 de novembro,Queimados 2011

15 novembro, 2011

Enquanto contempla o poeta

Se calam os lábios.
Silêncio,os olhos beijam
as paredes,encontram outros
olhos na linha reta fatal.

Ó animal fecundo pousa no 
olhar da fêmea sedenta.
Nos passeios delirantes dos
Sêmens amalgamados,dar-te
ao mundo outro ser inocente
entregue aos lixos e ratos.

Pisando no fecal deserto
suburbano,nos vidros baços
nas paisagens poéticas da solidão
do poeta passante,errante,itinerante
coração,em turvas roupas nas curvas
dos pensamentos repousa.

Todo silêncio dos lábios calados
Todo sexo calado,escandaloso
e as consequências vindas depois
nos jornais baratos.
A noite anterior,do poeta fitando
enquanto ao redor modificando
na rotação doentia do tempo.

Luiz Carlos

Lágrima

Uma lágrima cai.
Silenciosa vai.
Ai,de mim á lágrima,
cai e perdida vai.

Ó sozinho passarinho
no galho trina,trina para mim
trina a esta tristeza
sem fim.

Cai lágrima,cai...
na face:rola,rola,rola
ondas do mar em movimento
na fronte em desalento.
Rola,rola,rola,lágrima e cai.

Como dois corpos rolando
na cama,em cálidos desejos
rolam,a lágrima cai sem demora.
Chove lá fora,e aqui dentro 
tempestade!... Cai,a lágrima que
rola,rola,rola...
E nas horas vai..

Luiz Carlos

30 outubro, 2011

Estella

O sol no decorrer do dia,
entra e não avisa no decorrer
do dia,a triste metarmofose da tarde
para á noite quente que arde.


Distante através das antenas de cano
através dos muros mal-feitos das casas
por pintar,nuas em tijolos.Solitária estrela
cintilante no horizonte,dançava defronte
ao olhar que lhe via delirante.


Os móveis mudam de cor,arrebol dourado
derramou nos móveis a cor da tarde,a noite
derrama a cor do luto as portas do armário
abertas,revelam o cheiro velho das estradas
pelas roupas usadas,lavadas,lavou o suor
das noites galopante em solidão.


Mudam os movimentos da cidade,vista do distante
as ruas asfalto torturante viram as curvas andante
carregando no peito dor.Tristeza sem a razão do
acontecimento,alimentada torna-se repentina.
Vieste dorida,entrar pelas portas do peito
sorrateira vieste.


Ah!,dor torpor ébrio das células esvaecendo mortas
no corpo,artérias choram a cada segundo,os póros entupidos
pela poeira urbana.E estes olhos em areia misturam com prantos.
Um grito,que não foi o meu nome,um riso que não foi o meu.
Um beijo relembrado que não dei,precuro o esqueiro bailarino
da chama sempre presente,obediente,operário do vício sempre
disposto,acende e beija o pulmão fumaça véu cinza á fazer-me
Pensar nas saudades tortas,estas portas que abro em tantos
momentos haurindo do vinho em grave escuridão.




Entra o dia,foi a noite
Voa os passos agora
torpes,tortos,das pessoas
intinerantes dos botecos voltam
Daqui nem sequer sai,imaginei andar
pelas curvas das esquinas,pelas curvas
utópicas de outro corpo.
Triste em minha tristeza,a estrela distante ainda dança
Alva a chamo Estella.


Luiz Carlos

29 outubro, 2011

Por mais que tento

                 Para Camila
Por mais que tento.
Um sorriso apenas.
Eles murcham,sem ao
menos ter dado a aurora
do nascer.Eles morrem sem
ao menos ter dado flores para
o sepulcro.



Eu,que ontem um sorriso dei
Eu,que um sorriso lhe dei.
Talvez torpe,ébrio pela cerveja
lhe dei um sorriso.

Passou o ontem,e levou meu sorriso
Passou a onda embriagada e matou meu
sorriso.Sou o guerreiro que na batalha perdeu
o coração.Sou a garrafa esquecida após lábios
ter sorvido do líquido,da mesa caiu e quebrou.

Por mais que vil por vezes fútil
Por vezes inútil,por tantas vezes
Lagrimoso.Por mais que seja....

Um sorriso tento construir,para lhe ver sorrir
Ah,mais aqui dentro sabe,quem chora sou eu.
Aqui dentro,neste lodo profundo,memórias em
estilhaços,sepulturas ao léu do destino.

Aqui dentro.
Dilacerado,dos teus abraços mergulhei
como uma criança,segura no colo da mãe.
Retornei como o cão vadio,só no andar
no marasmo do asfalto pisando nas lágrimas
dos errantes da madrugada.

Parada de Lucas passo,no ônibus cheio
sufocante,inerte nas paisagens lá fora tentam
me fazer sorrir,tentam me fazer amenizar a dor.

Por mais que tento,um sorriso
a máscara que uso para verte segura
Se quebra no quarto bagunçado,se quebra
após o cigarro da reflexão,se quebra!


Dos pedaços,feri.
E o coração medroso
sentiu,a tristeza de mergulhar
novamente em seus cálidos braços.
Mesmo assim,desta cruz onde serei
crucificado e um corvo virá bicar meus olhos
Naufragarei em teu coração,Sem que amanhã
arrebente em desencantados tinidos.
Mergulharei no teu corpo,e farei dele 
minha oração.Mesmo se para esquecer o calor
do abraço,o delírio balsâmico,mergulharei após
Nas garrafas do tinto,chorando lágrimas escarlates.
Em qualquer boteco sujo,estarei há pensar no ontem
quando tentei sorrir.
Para lhe verte sorrir.
E estes olhos úmidos virão,como me feri.

Luiz Carlos
29 de outubro,Parada de Lucas 2011

22 outubro, 2011

Umbral dos Apaixonados


Impassível face marmórea
Curvada em vigília sepulcral
Aguardava ansiosa o beijo não dado
neste umbral fora do tempo
Dor insiste e persiste: penitência
Cafalso do gozo e do prazer

Machado do impossível que desce vertical
pondo fim ao encontro de lábios
que nunca ocorreu
Sentença que vem pôr fim
ao mais perene amor
amor perene que nunca floresceu em vida.

Lábios que beijam a face marmórea
em desafio a sentença anunciada
o toque gélido nos lábios
a lembrança de lençóis cúmplices

Ah! Veneno que não mata
Faz sofrer e gritar e rasgar
sem nunca ter fim

Enquanto a taça da qual sorve toda sua amargura
Imóvel e gelada, não retribui o beijo dado

E o líquido que desce como chama draconiana
dando esperança de um fim quente
apenas traz mais dor e rasgar e molhar de lágrimas
amor, não faz mais esperar
Traga consigo a foice
Seja tu o ceifador, rasgue um fim
Ponha fim a essa febre de amor.

21 outubro, 2011

Ao nome mato


No Brasil, todo mundo se conhece.
Aquele professor que odeia o aluno,
aquele político que odeia o povo
E aqueles artistas que odeiam uns aos outros.

A educação pede desafogo,
A corrupção entra em jogo
E a arte?
Quem conhece sabe do que estou falando.

Somos um país fraco
que se diz forte.
Temos gente para mudá-lo
e reverter essa sorte.

No entanto, o QI evolui
por puro nepotismo.
Quem fica calado
não obtém amigos.

Duas coisas que odeio
fazem esse país andar.
A fofoca e a hipocrisia permeiam
o nosso dia a dia.


E eu, como não tenho nada a ver com isso,
continuo estrangeiro, sem ser reconhecido.
Mas o que busco, na verdade, é o reconhecimento desta ação.
ao nome mato, o sofrimento desta nação.

EVOÉ 

01 outubro, 2011

Tu


Tu,que andas desolado solitário 
nas ruas a tarde.
Tu,cujos as marcas do mártir 
saltam algoz da amarga fronte,
tão pesada,fardo,cruz á carregar
pelas ruas a tarde.

Tu,que choras nos bancos de praça
nos fundos do bar,no ônibus de regresso.
No pensar,como fara para alimentar seus 
filhos,sua mulher doente na cama,sem forças
para sorrir,para andar.
para lhe amar.

Tu,a cada dia trabalha.
Se esforça ao máximo,para
que no fim do mês,lhe dão
o mais miserável salário.

Tu,guerreiro valente,o sol
da tarde,espanca,açoita.
Tu,que passas pela ponte
de Niterói,jaz pensou em
torna-se mar,no desespero
labirinto escuro,úmido.

Tu,apesar dos sofrimentos
da dor sem controle,andas
ama seus filhos,cuida de sua mulher
trabalha,contempla as saudades
nas fotos juviais.

Tu,que andas pela tarde,pesado
triste,passa pela tarde,e vai
distante,absorto em si
"Tudo é mártir e lágrimas",
guerreiros somos,a vida é batalha
nossa amardura é o coração.

Tu,humano.
Tu,que vejo passar.


Luiz Carlos
 

24 setembro, 2011

Escrevo

Escrevo nos movimentos pulsantes
dos sentimentos furibundos,almejando
um corpo,para andar,para voar nas
imensidades desconhecidas de seu além.

Erro muitas vezes,aprendo com os erros
muitas das vezes dos erros,demora o aprendizado
estão ali,deitados meus sentimentos entre linhas.
Os olhos são a torre,onde o olhar é o contemplador.
Vislumbrando os corpos deitados nos campos da folha

Contemplando como o jardineiro bondoso e puro
vê suas flores em crescimento.
Tantas dores para sentir,dores para escrever
a dor lida,a dor proferida,consola profundamente
está dor sentida.

Escrevo não por ofício
Escrevo para que deixe as palavras
ornamentar seus próprios corpos
e andar.
Entrar em outras vidas.
E voar...

Escrevo para dizer,
até os versos mais banais,
até os versos mais tristes,
solitários.tenho algo a dizer!
Á compartilhar com outros coraçãos
de minha existência,desta busca incansável
pela essência.

Escrevo no tédio
escrevo para sempre saber
que vivo estou.

Luiz Carlos
24 de setembro,Queimados 2011

...

Saudades de uma vida de outrora,
Por muito vivida sem ser almejada.
Hoje a falta que faz, colabora,
Não faço falta, mas hoje você foi lembrada!


Por: Eduardo Martins
Em: 22/09/2011

17 setembro, 2011

Seios

Vislumbrando os contornos ternos dos seios
franzinos,singelos.Pervetindo com o toque dos
dedos.Ó seios,busto sacrossanto de Anthenas.
Ó símbolo do erotismo.

Ah!,porém ao meu ver, e pensar
os dedos são o jardineiro,e os seios
o jardim,por onde caminhas as mãos
com toda licenciosidade,caminhas
acalentando este pêssego,macio
delicioso e amoroso.

Franzino seios.
Beijo-os com delicadeza.
Para sentir seu néctar,a bela
dona destes pêssegos,jovial
fada guardiã deste jardim.


Luiz Carlos
17,de setembro Queimados 2011

15 setembro, 2011

Como se escreve poesia?

Fico pensando,
revirando por dentro
e não acho nada pra completar.

A minha vida parece completa
e as dúvidas cada vez mais certas.
Por que estou sozinho?

A solidão é a diferença do coletivo,
enquanto as vozes lá fora me dizem
que ainda estou vivo.
O abraço sincero de quem mentia,
o amor à revelia,
quem sou eu, poesia?

Refletindo,
vou estendendo o que era sofrimento,
mas não é pura transpiração.
Acredito que inspiração
não vem só do coração.

É dia a dia,
solo, batida
incrustada
em simples canção.

Poderia ter feito diversos sonetos,
perder horas na composição.
No entanto, sinto que a emoção vale mais
do que mil horas perdidas de reflexão.

Entre a razão e a emoção,
sou um Bocage remendado
de que tanta bobagem
me joga na multidão.

Comecei vate,
tornei-me diversos,
passei pela tempestade
e o meu ímpeto
acabou em pleno interdito.

De cronista solitário,
fui escritor visionário
de um passado lendário.
As minhas rimas só buscam sufixos
de dicionário.

E a cada movimento
vou me perdendo a cada verso.
Esquecendo de que o Uno
não é universo.

Então, poesia,
isso tudo é reflexão
Ou são meus ingênuos versos?

A certeza é que quando aprender
a escrever o que chamam de poesia,
Não sou eu quem vai saber
o que houve de melhoria.

11 setembro, 2011

Olhar marinheiro

Marinheiro olhar,caminhas
sem afundar.Nas ondas da 
vida;sem lar,qualquer lugar
é lugar.

Marinheiro olhar,o corpo 
do poeta é o navio,por onde
navega o olhar.

Solitário haurindo imagens
Paisagens descortinadas,
Deslumbra-o de arpejos 
e desejos.

Ó poetas,Ó poetisas.
Donos do olhar marinheiro
És passageiro,sem regresso ao
porto.Avante velejando,até
que a sina,lhe chame de morto
ou morta.Avante!

 Olhar marinheiro,tens vida própria
  Apenas parte,sem volta.
  Neste navio,onde os capitães
  deste navio,são sempre os poetas.

   Luiz Carlos

09 setembro, 2011

Peles de emaranhadas vias


Contradicao
Nada Combina
e tudo a espera
Meu calor em teu gélido mármore racional
A fala em metáforas,ou estar e não estar também
Tecido de tuas entranhas,se emaranhando nas janelas do pensamento
Como se a vida fosse tão doce e tão amarga
Tão minha e tua
Estranha,contrastante
Embrutece o homem, desfalece o menino...
Há lamento por sonhos que já não voltam
Há conformidade com as leis do ontem , do talvez e do nunca mais
Palavras evocam o desejo do que ficou pra traz
Será mesmo,o sangue que gela ? amor que estanca?
A chuva que cai?
O silêncio que se aconchega?

Escorre o tempo
Lâmpadas que se apagam e acendem
A dança das sombras ,repetindo-se no dia-a-dia
As pessoas temem ,em agonia se consomem
Por amores ´´inascidos´´

Viril vendaval nos campos,tragam boas novas!
A eternidade grita pro mundo,que do amanhã nada sabemos
Lancem as sementes
Cultivem seus jardins
Vistam sua melhor roupa
Por que sinos ainda ressoam
E as estrelas ainda brilham e cantam,por vocação!

Exúvia Hannar(2007)

www.fotolog.com/poemista

07 setembro, 2011

O poeta não morre(para todos os poetas e poetisas)

O poeta não tem corpo!
  Torna-se parte de tudo,
  desde do mais triste mendigo,até
   a mais lascívia meretriz,o trabalhador honesto
   a dona de casa singela,as flores do jardim,os ventos
   vindos do horizonte,o poeta é um pássaro e voa
   O poeta não morre,renasce
   as flores nos túmulos murcham 
   pela essência sorvida do poeta
   renasce e pelas eras voa,esparzindo
   quebrantos,levando poesia para todos

   A voz do poeta não é silêncio
   a voz do poeta é essência
   vagando pelas existências
   dando aos seus filhos,longos tragos
   inebriados,tirando-nos de nossas cavernas
   para arfar o peito e fazê-lo hirto
   e gritar(poesia,poesia,poesia)

  Foda-se o que dirão
  Foda-se o que julgarão
  o poeta,não morre,renasce
  e voa,iluminado pássaro crepuscular.

   Luiz Carlos

  7 de setembro,Queimados 2011

04 setembro, 2011

Gotas e gotas.

Gotas e gotas declinam no campo branco do papel
misturadas ao esforço e o amor pela arte,não importa á hora
Ah,vêm ó vêm princesa alento;acalentar minha mente 
libertar os pássaros internos da poesia.
Tilintam sinos da madrugada
todos dormem,ou em butecos de sexta-feira
morrem no frio,famintos.
Tombam corpos no assassinato,manchando calçadas 
com o sangue das dívidas não paga ou pelo simples olhar
da mulher do alheio.
Gira ó mundo,todos dormem 
No japão é dia.
estou aqui,a luz da vela bailarina
dando gotas de suor na infinita folha 
branca.Chove na alma.
Chove em meus olhos
gira,gira ó mundo enquanto
ajoelhado aos pés da nossa amada poesia eterna.
Vertendo poemas com o esforço á fio 
e lágrimas recordadas.
plantando flores nas feridas
incuráveis
Gira,gira ó mundo
voe,voe ó tempo...

Luiz Carlos
4 de setembro,Queimados 2011

Uma Noite na Taverna com a poesia de Mário Quintana

.



*

28 agosto, 2011

Hoje

Hoje, ó mágoa me visita.
Tome esta água colhida das
pálpebras.Tome ó mágoa esta
tristeza nascida da certeza de
um amanhã mais negro como
a tumba esquecida,entrestecidas
são as flores murchas aquecidas pelo orvalho
e ocaso.

Hoje,abandonei antigos sapatos
de sola gasta,de lama e poeira
contornos de antigos caminhos
arranquei do peito,mágoas
ah....Descem água,escorrem
na fronte sórdida,ferida.
Vêm ave da saudade,pousar nesta tarde
onde arde,queima meu peito escancarado
ébrio do Sake barato,nesta alcova em mofo
e odores tabagísticos.

Passa sinos vesperais
Passa ventos
Passa abelha
Passa moça bonita
Passa minha vida
Passa!Passa!
tudo sem dizer adeus

Hoje o cancro lúgubre
me devora,consume sorrisos
não mais dados,consume tinos
sou um manequim sem vida
inerte,jogado num leito suado
surrado,lamentando,dando versos
as paredes surdas,abafando gritos
rasgo meu coração,sangra da poesia
amarga nascendo neste ventre de artérias
Ah!,hoje á dor veio beijar-me
batem na porta
chamam meu nome
não,vou para rua fingir risos
apenas ficarei,aqui nesta tarde de hoje
ardendo em prantos,lendo a lira,da ira
infernal de sofrer sem amar
pela última vez,antes da bala perdida
vir,entrar veloz e atingir o peito escancarado.
Hoje ficarei aqui......

Luiz Carlos
28 de agosto,Queimados 2011

26 agosto, 2011

Coisa preta



A cor desce

do lápis e escorre

para a vida.


O nanquim da discórdia

se chama Brasil.

Lá o racismo sobrevive velado.


Ter preconceito,

a partir da hipocrisia,

não retira a cor dos nossos dias,

embora a paz ocorra de forma colorida.


Brasileiro deveria ser mestre

em ser discípulo da diferença.

Pois se houvesse uma cor que preste

seria uma grande ofensa.


Precisamos lembrar

Que a “coisa” sempre esteve preta

no Brasil!

25 agosto, 2011

Caem dos céus os demônios



Na beira do precipício

No final do crepúsculo

Ela abraçada com a cabeça em meu peito

Chorava copiosamente

Não iria mentir na derradeira hora!


Levantei o rosto colado em meu peito

Não queria comigo ver o fim

E então, apenas lhe confortei

E sussurrei...

- Sabes amada de onde vem os demônios?

Ela mal um não acenou com a cabeça...

- Verdadeiramente amada...

Continuei...

Caem dos céus os demônios

Que outrora eram anjos

Deles os mais belos, os que cantavam a alvorada

E ressonavam daqui ao início dos tempos

De que tudo isso Deus já via

E nesse rodopio e ciranda criança

Eram eles que desciam do céu

E por ter medo do mesmo

Procuravam abrigo debaixo da terra

E quanto mais terra, menos medo do céu havia

Caem do céus aos montes os demônios

Em mil bravios de dores e chagas e tolos

Tolos todos nós homens como eles fomos mais

Digo mais, tolo mais do que eles fomos, pois tememos o céu

Ó vazio céu!

Aos demônios, as lendas, as coisas menores que não existem

E por descrédito fomos ao precipício

Que por subestimo de quão tolo e pequeno ardil

Não nos prepararmos para a fúria

E a possível derrota de deus.

13 agosto, 2011

Apático

Apertaram minha mão,um sorriso recebi 
me abraçaram e uma leve calidez senti,
me feriram e uma árdua lágrima consumi
sorvi cada gotija de cristal.

Recebi,abraços,apertos de mão
Menos meu nome não dei,portanto
um estranho sou.
Portanto,vadio comparado as cães sem lar
me junto a eles pelos ermos campos das ruas
vamos cantar.

Se vieres me abraçar,não retribuerei com a mesma
alegria,com o mesmo entusiasmo.
Alegria que ilude,mais mentirei a mim 
mesmo um sorriso,fingirei alguma simpatia.
Se há tempos do meu peito,cortei todos os galhos
dos despojos de alegria iludida.

Danço
lanço
versos malabaristas
criando asas e partindo
são minhas mãos aos apertos de mãos
são meu corpo aos cálidos abraços
são minha voz efluviando no ar
é minha nudez,desnudando e seguindo
nos movimentos das ondas do mar.

Regresso ao quarto,onde ainda não saí
os cães esperam por mais um passaeio
nos subúrbios,comeremos lixo
nas ruas vamos correr,dormir com a lua
cantar a noite toda.
Solidão abre a porta da alvova
enquanto abro as janelas do meu
coração,vomitando antigas desilusões
Deixe-me junto,só com os lençóis
do delírio.

Luiz Carlos
13 de agosto,Queimados 2011

06 agosto, 2011

Lágrimas e Flores

Beijei os lábios do pálido céu,
e lambi as nuvens como sorvete.
chorei junto com a chuva,e senti
na monotonia,agonia das saudades
arranhando meu coração,chorei
na idade juvial não por amor.
O amor não é para mim
chorei para libertar estes prantos
crianças cristalinas que na face faz de palco
dançam,sinfonias da tristeza cantarolando 
na alcova já no estado de uma cova.

"TRAZ-ME FLORES POR FAVOR!
TRAZ-ME FLORES SEM OLOR
TRAZ-ME FLORES PARA MINHA
DOR".

Luiz Carlos
6 de agosto Queimados,2011

Minutos


Ah!,somos prisioneiros das horas que passam
velozes,atrozes.Envelhecemos mais rápido a cada
minuto arrastado sem se vê.
Um corpo tomba.
Nasce outra vida.
Floresce mais uma ferida.
Nas ruas vazias:Invernais
Infernais,padecem mendigos
de frio e fome.

Cada minuto esvaece.
vai-te entristecer-se nos lapsos
vespertinos,dos minutos jaz de outrora
na nostalgia de agora,sentida algoz no peito

Na janela os olhos da casa,contempla toda
metamorfose doentia dos tempos,crianças dantes
com carrinhos e caminhos utópicos em alguns minutos
antes.Corriam com suas pipas,está mesma criança
agora corre com sua mulher para a maternidade.

Agora corre com sua arma na mão.
Agora lembra dos tempos não vividos,
agora chora por não poder voltar apenas
alguns minutos.

Luiz Carlos
6 de agosto,Queimados 2011