11 outubro, 2010

Miséria glob(o)alizada



Quando você tem um pouco menos

que nada,

Miséria é salada,

Na boca de político.


Quando você tem apenas o farrapo do corpo

E os pés duros sobre o chão,

Miséria é política,

Na televisão.


Quando você tem um chão frio e sujo,

como cama,

Miséria é projeto do projeto de lei,

Lá na câmara.


Quando você tem fome, frio e um furúnculo

Encravado na bunda,

Miséria é comercial

Do “Criança Esperança”.

Miséria é campanha eleitoral,

Do Lula.


Quando você trabalha de segunda a sábado,

De manhã até a noite.

Miséria é não morar em Copacabana,

Na novela bacana do Manoel Carlos.


Quando você pensa que de sonhar, não é mais capaz,

Miséria é propaganda

Da Petrobrás.

7 comentários:

Henrique disse...

Gostei!!!

A miséria nasce nas capitais
Invade mangues sobe morros e destrói famílias
Fruto de um sistema que se acha nobre
Mas que dá tudo ao rico dando grilhões aos pobres

A miséria invade as casas pelos telejornais
Milhões de mortos nas esquinas
Versões oficiais não dão conta da chacina
Que acontece todo dia
Amanhã a gente esquece e já foi feita a faxina

A miséria nasce e mora nas capitais
No discurso de idiotas e de intelectuais
A serviço de patéticas ideologias
Prolifera o medo
Perpetua a hipocrisia
Em condomínios fechados
entre muros de concreto se esconde a burguesia
À sua porta batem mendigos e ladrões
Putas e viciados que seu vício financia

Suzane Morais disse...

Por toda a parte a fome e a miséria a nos espreitar com seus rostos terrivelmente suaves.
Outro dia, andava distraída pela rua, e a morte me disse bom dia. Eu, ofendida, encantada, maculada, contemplei ali na calçada a minha própria fronte estendida, sem vida. Pedaço de carne solto sob a pele. Os olhos ainda cheios de uma ternura impossível, abertos, voltados para o céu como se esperassem algo. No canto da boca, um sorriso tímido e franco mais enigmático que o da Monalisa, mais apavorante que o da Esfinge.

. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Beatriz Peixoto disse...

Muito bom, Suzane!!!

Anônimo disse...

excelente!

Anônimo disse...

excelente!
Hannar lorien.