27 julho, 2010





I
Voto de Pobreza

"A poesia não irá lhe deixar rico"
Disse o pai à moça que amava o poeta
"A poesia não irá lhe deixar rico"
Disse o pai do poeta à beira do abismo

Abandonado pelos guardiães do "bom senso"
Ele seguiu apenas a seu coração
E seu coração seguia em frente
Sangrando versos sobre os guardanapos

"A poesia não irá lhe deixar rico"
Urravam os alto falantes do mundo
(sintonizados em alguma mesmice rádio-televisiva
baseada em jabás e em pesquisas de opinião
encomendadas por hábeis marketeiros que não sabem vender poesia
porque precisam pôr
antes de mais nada
um preço modesto por suas almas)

Mas o mundo é vasto para o coração
E o pobre poeta festeja
Seu profano sacerdócio
Ao receber apenas um sorriso sincero e ouvir

"Sua poesia me deixou mais rico"

Eis aqui, senhores, um dos mistérios de nossa fé!

3 comentários:

Romulo Narducci disse...

Com certeza, fiquei mais rico em ler tal preciosidade. Evoé!

Poemista disse...

jóia bela que traduz essa comunhão Lírica e marginal em nossos caminhos e almas!

parabéns
por mais esse trecho bem tocado da orquestra!

Caio Murdock disse...

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