08 maio, 2011

No meio da cidade

Ou eu como,
Ou penso?
A modernidade
Não deu espaço para as minhas fraturas.

A minha tristeza
Corrói por dentro.
Vivemos na frieza
Do coletivo pensamento.

Trabalho, diversão,
Alegria e sofrimento.
Basta essa enumeração
Para suavizar o tormento.

Paixões sinceras
Foram-se diante da tempestade.
Por isso, quero construir quimeras
No meio dessa cidade.

*

Abrandar, sonhar,
O que for preciso.
Queria respirar
E ultrapassar o suplício.

Não dar espaço
Para o simples sentimento.
E me tornar o braço
Da consciência em movimento.

Destruir chavões poéticos
Pela simplicidade dos versos.
Ser rudimentar, rural, quase artesanal
Nesse tom profético.

Não sou triste,
Não sou alegre,
Não sou.

Extraio do nada
O tudo que me comove.
E vou movendo pela calçada
O livro da vida.

Minha liberdade
Tornou-me um bicho,
Que vaga
No meio dessa cidade.


obs.: Peço desculpas por uma postagem anterior em meu nome que veio de uma falha na internet e publicou uma frase, sem conexão com nada, do formspring. Evoé a todos e viva a arte.

Um comentário:

luiz carlos disse...

Belo poema,onde mergulhei
nestes belos versos de inefáveis
perfumes